terça-feira, 16 de abril de 2013

Da morte de um sonhador

Meus sonhos não existem
Meus sonhos não me mantém
Meus sonhos não me levaram até lá
Meus sonhos não saíram das gavetas
Meus sonhos andam por aí
Meus sonhos esbarram em mim às vezes
Meus sonhos estão mortos
Meus sonhos são impossíveis
Meus sonhos batem em minha porta
Meus sonhos não entram quando eu abro a porta
Meus sonhos estão perdidos num labirinto fúnebre
Meus sonhos são lindos
Meus sonhos dançam sob a luz da lua
Meus sonhos morrem de amor
Meus sonhos choram pela natureza
Meus sonhos se cortam 
Meus sonhos são suicidas
Meus sonhos são demônios
Meus sonhos passam por cima dos sonhos dos outros
Meus sonhos passam por cima dos sonhos dos outros
Meus sonhos estão aqui e lá
Meus sonhos estão ali
Meus sonhos gritam, esperneiam
Meus sonhos esmurram muros
Meus sonhos há muito se enterraram vivos
Meus sonhos estão intimamente ligados a impossibilidades cotidianas
Meus sonhos estão à mercê de pessoas
Meus sonhos não são os sonhos dessas pessoas
Meus sonhos caminharam
Meus sonhos se cansaram de caminhar
Meus sonhos descansaram 
Meus sonhos se atrasaram
Meus sonhos se realizaram e foram embora

terça-feira, 9 de abril de 2013

A música é um refúgio o vento é uma estrada

A música é o refúgio, enquanto se caminha por estradas longas,
Almeja-se o sonho lúcido e sente-se desespero.
Os sabores, os cheiros, as visões...
Os prazeres sentidos são solitários.
O sono, o cansaço e a própria negação.

Sou apenas uma consciência que desaparecerá em breve, então por que não agora?
Já renunciei diversas vezes tudo isso e sempre acordo na manhã seguinte...
Tudo inútil, qualquer tentativa é frustrada, estamos todos num livro de Kafka.
Sou Roy Batty, sem vontade de viver. Sou a poetisa suicida num forno...
Tudo ao mesmo tempo acontecendo agora num instante que nunca vai voltar a vida é bela e eu a odeio com todas as minhas forças flores negras da minha alma levantando braços magros para um paraíso que não está lá almejando o sonho lúcido que nunca acontece desejando a solidão e o entendimento a morte e o esquecimento o reparo e o sorriso tolo a esperança deve morrer em mim a vida é feia a vida é terrível a existência é desesperadora não há abraços eu sou fútil os dias passam vagarosamente num turbilhão de pássaros voando em círculos ao meu redor num céu claro com nuvens pesadas encontro um anjo e ando pra casa sozinho ando sozinho num caminho longo ando sozinho no escuro ando sozinho e choro não ouço música não ouço nada ouço o coração idiota que continua batendo e me dá a estúpida força e eu me levanto do chão e vejo novamente um anjo que me abraça rompendo nuvens pesadas flutuando e agora estou no chão "suando e de alguma forma vivo suando morrendo e de alguma forma vivo" por favor se esqueçam de mim o anjo me conforta em sedas e ouço as liras do paraíso tocando uma música floral o paraíso é um campo verde florido margaridas e nuvens caio num chão e me rasgo com arames e pregos enferrujados ouço gritos demoníacos e no verde sinto um vento marítimo que me evapora.