A música é o refúgio, enquanto se caminha por estradas longas,
Almeja-se o sonho lúcido e sente-se desespero.
Os sabores, os cheiros, as visões...
Os prazeres sentidos são solitários.
O sono, o cansaço e a própria negação.
Sou apenas uma consciência que desaparecerá em breve, então por que não agora?
Já renunciei diversas vezes tudo isso e sempre acordo na manhã seguinte...
Tudo inútil, qualquer tentativa é frustrada, estamos todos num livro de Kafka.
Sou Roy Batty, sem vontade de viver. Sou a poetisa suicida num forno...
Tudo ao mesmo tempo acontecendo agora num instante que nunca vai voltar a vida é bela e eu a odeio com todas as minhas forças flores negras da minha alma levantando braços magros para um paraíso que não está lá almejando o sonho lúcido que nunca acontece desejando a solidão e o entendimento a morte e o esquecimento o reparo e o sorriso tolo a esperança deve morrer em mim a vida é feia a vida é terrível a existência é desesperadora não há abraços eu sou fútil os dias passam vagarosamente num turbilhão de pássaros voando em círculos ao meu redor num céu claro com nuvens pesadas encontro um anjo e ando pra casa sozinho ando sozinho num caminho longo ando sozinho no escuro ando sozinho e choro não ouço música não ouço nada ouço o coração idiota que continua batendo e me dá a estúpida força e eu me levanto do chão e vejo novamente um anjo que me abraça rompendo nuvens pesadas flutuando e agora estou no chão "suando e de alguma forma vivo suando morrendo e de alguma forma vivo" por favor se esqueçam de mim o anjo me conforta em sedas e ouço as liras do paraíso tocando uma música floral o paraíso é um campo verde florido margaridas e nuvens caio num chão e me rasgo com arames e pregos enferrujados ouço gritos demoníacos e no verde sinto um vento marítimo que me evapora.
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