Deus,
me leve pra bem longe,
pra distante de toda forma de dor.
Permita que eu evapore
que minha partida seja indolor
que vá suavemente embora numa brisa calma
suavemente esquecido por tudo.
Que eu flutue pelos céus
-suave e leve-
e me desfaça.
Deus,
permita que eu me condense em nuvens
-consciência inexistente.
Sem medo,
Sem dor,
Sem raiva,
Sem nada.
É o pedido do meu conturbado coração
E que eu seja esquecido
Pelo tudo que me agora circula.
Presente ainda estarei, alimentando as árvores
como chuva.
Hi, how are you?
terça-feira, 24 de setembro de 2013
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Ancient
Havia uma casa na ponta da colina, uma casa antiga e pequena, onde vivia alguém.
Num dia de um ano chuvoso eis que chega um pacote, e abrindo-se, encontra-se uma cadeira.
(Uma cadeira de palha, sem muitos arranjos). Remetente anônimo.
Tinha-se a impressão suave de que já se vira o objeto antes, como em um dejá vù.
Lembra-se da cadeira, num canto próximo, aconchegada em um quarto.
Um quarto de casal? Seria isso mesmo? Não. Um quarto solitário, de um menino.
Brinquedos, roupas azuis e verdes. Uma janela. Um quarto amplo, com uma bela vista.
Seria o quarto antigo de alguém que vivia em uma casa antiga na ponta de uma colina?
Era provável. Olhava-se frequentemente para a cadeira. Tinha-se detalhadas memórias sobre a infância de um menino.
Amigos, corridas até o lago, montanhas ao entardecer, histórias que não o deixava dormir.
Era certo: As memórias de alguém que vivia na ponta da colina.
Na ponta da colina vivia alguém, em uma antiga casa. Suas mãos eram antigas, bem como seus hábitos.
Uma simples cadeira, objeto secundário na infância de um menino. Como poderia acordar tais lembranças?
As lembranças têm sono leve, e acordam com o mínimo de estímulo. Mas o estímulo deve ser certeiro, como uma chave para tal fechadura.
Parece que a cadeira era a chave para as memórias.
Lembrava-se dos medos, das sensibilidades e dos odores agradáveis de água, de terra, de natureza próspera.
Haviam irmãos, pais e primos. Nomes, vinha à tona os nomes.
Danças ao redor da fogueira. Canções de um tempo esquecido por todos.
Lembradas agora por alguém que morava na ponta da colina.
Íngreme colina de difícil acesso.
Acorda-se um dia, olha-se para a cadeira.
A pessoa que mora na ponta da colina, esquecida do mundo, olha para um espelho antigo e vê sua forma.
Uma mulher antiga, com pensamentos antigos.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Da morte de um sonhador
Meus sonhos não existem
Meus sonhos não me mantém
Meus sonhos não me levaram até lá
Meus sonhos não saíram das gavetas
Meus sonhos andam por aí
Meus sonhos esbarram em mim às vezes
Meus sonhos estão mortos
Meus sonhos são impossíveis
Meus sonhos batem em minha porta
Meus sonhos não entram quando eu abro a porta
Meus sonhos estão perdidos num labirinto fúnebre
Meus sonhos são lindos
Meus sonhos dançam sob a luz da lua
Meus sonhos morrem de amor
Meus sonhos choram pela natureza
Meus sonhos se cortam
Meus sonhos são suicidas
Meus sonhos são demônios
Meus sonhos passam por cima dos sonhos dos outros
Meus sonhos passam por cima dos sonhos dos outros
Meus sonhos estão aqui e lá
Meus sonhos estão ali
Meus sonhos gritam, esperneiam
Meus sonhos esmurram muros
Meus sonhos há muito se enterraram vivos
Meus sonhos estão intimamente ligados a impossibilidades cotidianas
Meus sonhos estão à mercê de pessoas
Meus sonhos não são os sonhos dessas pessoas
Meus sonhos caminharam
Meus sonhos se cansaram de caminhar
Meus sonhos descansaram
Meus sonhos se atrasaram
Meus sonhos se realizaram e foram embora
terça-feira, 9 de abril de 2013
A música é um refúgio o vento é uma estrada
A música é o refúgio, enquanto se caminha por estradas longas,
Almeja-se o sonho lúcido e sente-se desespero.
Os sabores, os cheiros, as visões...
Os prazeres sentidos são solitários.
O sono, o cansaço e a própria negação.
Sou apenas uma consciência que desaparecerá em breve, então por que não agora?
Já renunciei diversas vezes tudo isso e sempre acordo na manhã seguinte...
Tudo inútil, qualquer tentativa é frustrada, estamos todos num livro de Kafka.
Sou Roy Batty, sem vontade de viver. Sou a poetisa suicida num forno...
Tudo ao mesmo tempo acontecendo agora num instante que nunca vai voltar a vida é bela e eu a odeio com todas as minhas forças flores negras da minha alma levantando braços magros para um paraíso que não está lá almejando o sonho lúcido que nunca acontece desejando a solidão e o entendimento a morte e o esquecimento o reparo e o sorriso tolo a esperança deve morrer em mim a vida é feia a vida é terrível a existência é desesperadora não há abraços eu sou fútil os dias passam vagarosamente num turbilhão de pássaros voando em círculos ao meu redor num céu claro com nuvens pesadas encontro um anjo e ando pra casa sozinho ando sozinho num caminho longo ando sozinho no escuro ando sozinho e choro não ouço música não ouço nada ouço o coração idiota que continua batendo e me dá a estúpida força e eu me levanto do chão e vejo novamente um anjo que me abraça rompendo nuvens pesadas flutuando e agora estou no chão "suando e de alguma forma vivo suando morrendo e de alguma forma vivo" por favor se esqueçam de mim o anjo me conforta em sedas e ouço as liras do paraíso tocando uma música floral o paraíso é um campo verde florido margaridas e nuvens caio num chão e me rasgo com arames e pregos enferrujados ouço gritos demoníacos e no verde sinto um vento marítimo que me evapora.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Repouso.
Então tudo se solidifica novamente,
O oceano floresce,
Me mantendo vivo...
Um descanso entre guerras,
Um segundo de paz...
Você enfim retornou.
Abraço,
Beijo...
Amor.
Mas o que realmente é tudo isso?
O que é o amor? Sim...
Um desespero, uma saudade, um refúgio...
Refúgio, sempre isto!
Refúgio, entre tanto sangue e tanta dor...
Refúgio: A morfina solidária.
Leituras silenciosas e conversas inatas:
Um vaso de flores caído sobre uma mesa, há meio século...
Rosas sorridentes, melancólicas.
O amor que te tenho, no entanto, corre pelas florestas em forma de raposa...
Entre as árvores repousa sem pensar muito,
E se tranquiliza com os calafrios da madrugada.
domingo, 27 de janeiro de 2013
Veneno.
Veneno quente,
Garganta abaixo;
Estômago frio,
Andar torto,
Dedos sujos;
De volta à sua alma:
Pensamentos semeados,
Não regados.
Atalhos perigosos:
Sentado numa cadeira alta, de onde você vê o mundo.
Veneno quente,
Garganta seca.
Estômago quente,
Descanso bárbaro,
Toalhas sujas,
Odor desconcertante.
Quatro minutos de silêncio eterno,
Tentando regar pensamentos,
Buscar um caminho:
Caminha até o riacho e se vê refletido nele.
Veneno terminado,
Garganta vermelha...
Estômago agitado,
Caído no chão...
Dedos sujos de terra,
De volta ao pó.
Pensamentos alheios,
Aliviados...
Decisão tomada.
Deitado na terra, se arrasta até o riacho e morre lá mesmo.
sábado, 26 de janeiro de 2013
You know i feel you in my iron lung.
Coração tolo, que frequenta lugares onde não é desejado...
"Like a bird on the wire, like a drunk in a midnight choir...",
Tento passar pelo grande oceano acima de mim,
Tenho pouco ar e pouquíssima força,
Tenho pouca esperança.
Sonhos e brinquedos quebrados...
Devo nadar por 4,3 quilômetros até chegar à superfície;
Devo nadar pra alguma direção depois disso;
Devo sair da água, tirar meus sapatos preocupados, e caminhar por algumas milhas...
Devo encontrar minha velha casa de madeira, com algumas teias de aranha...
Devo encontrar você deitada na velha cama onde eu costumava estar;
Devo encontrar café quente e um cobertor;
Devo me deitar ao seu lado e te abraçar,
Devo, então, olhar pela janela com meus olhos cansados...
Então verei uma paz existente dentro e fora de mim.
O estado catártico pelo qual a humanidade toda há de passar:
"Para ser feliz, até certo ponto, devemos ter sofrido na mesma proporção";
Então sentirei o bem, e você não terá que ir embora nunca,
Estaremos em contato com toda a natureza edênica que as montanhas e rios apresentam...
Ouviremos os sons etéreos e perfeitamente sincronizados em um ritmo desconhecido,
Caminharemos por campos imensos, por plantações de morango, por cenários extremamente bucólicos;
Nos inclinaremos, resgatando sonhos esquecidos por soldados mortos no passado.
Estaremos numa harmonia tão perfeitamente tangível que nem mesmo o tempo há de nos preocupar.
A morte seria apenas um sonho distante...
Mas nada disso é certo, não é?
Nada disso realmente está acontecendo...
Continuo aqui no fundo do oceano, escutando o nada...
Sem o perfume da sua flor de lótus.
Sem seu sombrio sorriso de Velouria;
Sem suas rosas cortadas e sem sua desatenção característica...
Sem sua pele extrema e seu humor simpático.
Ainda assim eu te daria todo o oxigênio que tenho em meus pulmões.
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